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	<title>Pão Quentinho &#187; Espiritualidade</title>
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		<title>Crescer Dói</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 14:32:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>daniel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Busca da Maturidade]]></category>

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		<description><![CDATA[“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça&#8230;.” Há um livro interessante que acabou virando filme, chamado “O Tambor”, do alemão Günter Grass. É a história de um menino teimoso que se recusava a crescer. Quando queria alguma coisa pegava seu tambor e ficava batendo com um cabo de vassoura sobre ele até que alguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>                                                                                      “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça&#8230;.”</em><br />
<a href="http://www.paoquentinho.com/wp-content/uploads/2008/04/untitled1.bmp"></a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.paoquentinho.com/wp-content/uploads/2008/05/crescer-doi.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-20" title="crescer-doi" src="http://www.paoquentinho.com/wp-content/uploads/2008/05/crescer-doi-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a>Há um livro interessante que acabou virando filme, chamado “O Tambor”, do alemão Günter Grass. É a história de um menino teimoso que se recusava a crescer. Quando queria alguma coisa pegava seu tambor e ficava batendo com um cabo de vassoura sobre ele até que alguém o atendesse. E já com idade adulta tinha a aparência e o corpo de uma criança.</p>
<p>Às vezes penso que é menos penoso continuar sendo o que sempre fomos. Para que arriscar? Para que sair do porto seguro e singrar por rios perigosos e traiçoeiros, que não conhecemos bem? Para que sair do aconchego dos pensamentos que trazem sossego à alma, e aventurar-se por abismos e montes escarpados? O senso comum diz que viver na planície é mais seguro que escalar as altas montanhas.</p>
<p>Há cristãos que gostam de viver nas planícies – as montanhas lhes dão vertigens. Há cristãos que se recusam a sair da segurança encontrada nos limites do terreno em que ele mantém controle, e sair fora dessa área demarcada na alma é inimaginável para ele. É o medo de “perder” a identidade, é o medo do novo, o medo do não conhecido.</p>
<p>Crescer é “abandonar” posições confortáveis, é deixar o que é seguro, é começar a subir em direção ao ar rarefeito dos cumes. Crescer é recusar a permanecer no conquistado, é romper com o passado, uma ruptura que vai levar a uma descontinuidade da rota até então vivida. Crescer dói porque nos leva a dar um passo quando queríamos ficar parados. Os fariseus foram incapazes de entender o que Jesus dizia e fazia porque recusavam dar o segundo passado, a andar a segunda milha&#8230;</p>
<p>Todos os seres vivos, animais e vegetais e até mesmo os minerais têm em si o potencial de crescimento. Uma semente de laranja carrega em si a potencialidade de um pé frondoso carregado de frutos. Um pires com água e sal deixado por alguns dias começa a produzir pequenos cristais de sódio. Todas as plantas crescem em direção ao sol.</p>
<p>Creio que o cristão traz em si a capacidade de crescimento que o Espírito nos dá. Se não temos crescido devemos olhar o que tem impedido esse processo. Muito provavelmente desenvolvemos “apegos” à nossa forma de ser. Eles funcionam como laços que nos impedem de dizer adeus à nossa infância, aos nossos quereres, às manhas e manias, à forma fixa de pensar. Não raro vemos adultos carregando sombras não resolvidas do passado que assombram o presente, vemos homens e mulheres incapazes de um relacionamento saudável por conta de resquícios infantis.</p>
<p>Paulo diz que ele plantou, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento. Todo pai quer ver seu filho crescendo. É o processo natural. A não ser que sofra de “nanismo”, que é o desejo inconsciente de não crescer. “Anões espirituais” temem quebrar paradigmas, a ir além do que foi dado.</p>
<p>Obsessão pelo passado, ou tentar encontrar no presente imagens de um passado que já se foi podem indicar um estratagema mental para não olhar para frente, e com isso não ter a responsabilidade de crescer.</p>
<p>Crescer dói, mas sem crescer não há como alcançar a estatura que Deus deseja para nós.</p>
<p>Pr. Daniel Rocha</p>
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		<title>Cicatrizes</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 01:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafael</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dor]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas* de Jesus” (Gl 6.17) Quase todos nós carregamos marcas pelo corpo. Muitas são cicatrizes vindas da infância. É possível até contar um pouco de nossa história através delas: a queda da bicicleta, a queimadura no fogão, o corte com a faca, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas* de Jesus” (Gl 6.17)</em></p>
<p><a href="http://www.paoquentinho.com/wp-content/uploads/2008/04/mascara.png"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10" style="float: left;" title="mascara" src="http://www.paoquentinho.com/wp-content/uploads/2008/04/mascara-150x150.png" alt="Marcara" width="150" height="150" /></a>Quase todos nós carregamos marcas pelo corpo. Muitas  são cicatrizes vindas da infância. É possível até contar um pouco de nossa história através delas: a queda da bicicleta, a queimadura no fogão,  o corte com a faca, o encontro com o arame farpado&#8230;. Alguns mais antigos trazem os sinais que a varíola deixou quando ainda não havia vacina.</p>
<p>Marcas podem ser chamadas de “estigmas” (do gr. Stigmata*), como Paulo o fez em Gálatas 6.17, que eram as cicatrizes provocadas por tortura, apedrejamento ou ferro em brasa para marcar escravos e animais.</p>
<p>É interessante que a literatura sempre se valeu de personagens que foram estigmatizados pelo que traziam no corpo: o corcunda de Notre Dame, de Vitor Hugo, era um homem de feições deformadas, membros retorcidos, porém sensível às manifestações da beleza, e o “Fantasma da Ópera” conta a história de um homem desfigurado que exercia medo e fascínio.</p>
<p>Assim como as queimaduras e os cortes deixam seus sinais pelo corpo, é certo que a alma também possui a propriedade de receber marcas, mas ao contrário do corpo, que com o passar do tempo se regenera, muita dor causada na infância ainda permanece viva.  São sentimentos que se perpetuam e os anos parecem não atenuar.  É como se aquelas cicatrizes quisessem ser notadas para dizerem: “olhem o que fizeram comigo”.</p>
<p>Se a cicatriz só marcou o corpo, tempos depois somos capazes de rir, pois a dor ficou perdida no passado, mas se ela atingiu a alma, qualquer lembrança do fato faz despertar todo o desespero que causou. E o que é pior: por conta da associação simbólica, aquele que feriu adquire novos rostos, e isso faz com que se continue lutando contra pessoas que não foram exatamente aquelas que causaram a dor.</p>
<p>Conseqüência: muitas oportunidades são perdidas com medo de reviver a dor de um fracasso passado. Outros fecham o seu coração para um relacionamento afetivo para não correr o risco de serem abandonados novamente.</p>
<p>Por que reagimos assim? É o sentimento de vergonha ou humilhação que não quer ser repetido. É como se a alma tivesse feito um juramento: “nunca mais farão isso comigo outra vez”. Quase dá pra ouvir Judas justificando seu apego ao dinheiro para se proteger das privações que passou na infância, ou a prostituta que vende seu corpo para evitar a dor de estar sozinha. As feridas tornam-se então uma espécie de escudo para justificar gestos e escolhas.</p>
<p>O que fazer com marcas tão indeléveis? Dê de ombros, viva a vida que Deus lhe concedeu olhando para a frente, e esqueça-as. Mas não precisa negá-las, apenas saiba que elas estão ali. Faz parte de sua história, é verdade, mas não lhes conceda o direito de direcioná-lo pelo resto de seus dias – são péssimas conselheiras. Lembro-me quando criança minha mãe dizendo: “Não mexa na ferida para não infeccionar”. Felizmente, hoje, estou em paz com elas.</p>
<p>Cicatrizes apontam para lutas, e algumas delas levam a marca divina.  Foi um pusilânime Jacó, indolente e “protegido da mamãe” que teve no vau de Jaboque um embate que mudou sua história. Depois de uma madrugada de luta deixou aquele riacho com um novo nome, mas como ninguém sai incólume de um encontro com Deus, ele também foi embora para casa manquejando duma coxa (Gn 32.31), uma marca que possivelmente levou para o resto da vida.</p>
<p>Não sei em quais áreas de sua vida há cicatrizes, mas Deus conhece cada pedaço do seu ser e O sabe. Quasímodo, o corcunda sineiro da Catedral de Notre Dame isolava-se para não expor suas deformações. Uma máscara sobre o rosto desfigurado foi a forma utilizada pelo “fantasma” da ópera para esconder sua “fealdade”. Esconder-se e viver defensivamente parecem ser características comuns de quem se sente ferido. Mas em Cristo, somos libertados desses sentimentos, e podemos dizer como o apóstolo:</p>
<p>“Pela graça de Deus, sou o que sou” (1Co 15.10).  Com cicatriz e tudo.</p>
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